Comentário de Gastão Taveira à Tertúlia #6

Gastão Taveira

Tertúlia #6

Breves notas pessoais, de um participante activo:

O debate foi muito interessante e animado. Para além da qualidade dos oradores, é de registar a participação activa dos assistente e o nível das intervenções. Ficámos todos com a sensação que facilmente o debate se poderia prolongar por mais umas horas, sem que ninguém perdesse o interesse

Houve uma grande coincidência dos intervenientes (oradores e assistência) em torno do enviesamento do quadro orçamental.
Algumas ideias chave.
O OE discute como distribuir umas franjas da despesa, normalmente as que aumentam. São essas que são objecto de discussão entre os partidos.
Não há respeito por quem alimenta a máquina. Os contribuintes são esmifrados. Muitos já não querem saber de como é feita a distribuição, mas apenas de quanto vão ter de pagar.
No orçamento não se fala das empresas, que são quem cria emprego e faz crescer a economia. A este propósito, registo a intervenção de António Xavier, sobre as PMEs. Ninguém fala delas, apenas das grandes. Mas são estas onde existe iniciativa, mas para estas não existem apoios.
Foi referido por muitos que era importante mudar as consciências. E neste ponto pareceu-me ter havido um grande consenso. Mas, como sempre, ninguém diz como fazer para o conseguir. Nisto estou com a Margarida Penedo, que na sua intervenção, disse “não quero que venha ninguém a querer mudar-me a consciência”. Na minha opinião, creio que as consciências reagem aos estímulos e incentivos que recebem. Só se mudam, mudando estes.

Outro tema, que foi lançado à discussão foi a Regionalização.
Revelou-se um tema fracturante, como bem referiu um dos intervenientes. Registaram-se opiniões muito discordantes. Parece-me que há muitas ideias estabelecidas e preconceitos. Não é possível discutir o tema assim, sem análises estruturadas, que permitam partir de uma base factual comum.
Quanto à Descentralização, parece haver maior consenso.
Concordo com o Luiz Rocha que concluiu da seguinte forma: Descentralização é a palavra mágica / panaceia dos que são contra a regionalização. Nunca acontecerá.

Uma pequena nota crítica a Camilo Lourenço, espero que não me leve a mal. No final, em resposta à intervenção de António Xavier, teve uma excelente declaração, em que disse adorar as PMEs e contou um caso interessante de uma empresária têxtil. Criticou mesmo os jornalistas por falarem sempre das mesmas grandes empresas e esquecerem as pequenas.
No entanto, na intervenção inicial, incorreu nesse mesmo erro. Os exemplos que deu foram a Univ. Nova e a Altice. Mesmo o exemplo do interior, Altice e Altran, têm a ver com o investimento da Altice num data centre, quando era “a empresa do regime”, PT.
Isto vindo de um dos jornalistas mais activos na defesa da liberdade económica, é sintomático do nosso jornalismo.

Algumas pequenas frases curiosas, mas importantes, memes, que captei:
“A grande maioria dos portugueses olha para o Estado, como a minha mãe, que queria ser minha empregada para ter direito à pensão.”
“A propósito da recente nomeação na ERSE: Para os amigos tudo. Para os inimigos nada. Para os indiferentes, a lei.”
“A diferença entre o Presidente da Câmara de Pedrógão e o Sócrates, é que o Presidente só tinha o Fundo de Solidariedade e o Sócrates tinha a Caixa.
“Nós só podemos distribuir o que criamos. Nós neste momento, não criamos. Does it ring a bell?”
“Designa-se sector privado aquele que é controlado pelo governo e sector público aquele que é controlado pelos sindicatos” (Carlos Novais, citando J.M.Moreira).

Para concluir, é de registar que foi um ambiente excelente. Pessoas inteligentes, que pensam nos assuntos, e querem dar o seu contributo ao debate, sem se porem em “bicos de pé”. Dispostas a ouvir os outros e a debater.
Foi um jantar e serão em que muitos amigos virtuais deixaram de o ser. Foi curioso vermos, ao vivo, muitos com quem debatemos nas redes sociais e sentir que já os conhecemos – pelo menos conhecemos as ideias deles, o que nem sempre acontece com pessoas com que nos cruzamos todos os dias.
Noite de boa gente, boa conversa e boa disposição.
Parabéns à Oficina da Liberdade por mais um evento muito bem conseguido.
Obrigado, Alexandre, Telmo, Vítor, Helder e Manuel, anfitrião inexcedível.

Deixe uma resposta