Há alternativa ao consenso dos partidos?

Alexandre Mota

A crise económica que começou a atingir economicamente uma boa parte da população portuguesa e mundial já resultou em medidas por parte dos governos e bancos centrais. Com leves diferenças, todos os partidos portugueses subscrevem o cocktail de estímulos monetários, fiscais e de intervenção ao nível do investimento públicas. Se há críticas, elas centram-se na timidez das medidas e não no seu potencial perverso. Parece que não há alternativa. Será? Na verdade, vivemos um choque da oferta de produtos devido a decretos governamentais que forçaram o fecho, justificado ou não, da produção.

Conforme escreve Lacalle no seu blog:

However, as well-intentioned as these measures may be, they may cause deeper problems than what they aim to solve. When governments try to artificially boost debt and demand in a supply shock, the risk is to create a massive deflationary spiral driven by debt saturation that is followed by stagflation when supply chains start to be insufficiently flexible.

This is a health crisis and a supply shock added to the forced shutdown of the economy. As such, policies aimed at boosting demand have very little effect because whatever demand is artificially created will not be followed by supply, as long as the economy remains shut. Considering that the opening of the economy will be gradual and subject to changes, it may be safe to say that the risk of achieving very little positive impact with these stimulus packages is very high.

A Oficina de Liberdade publicou recentemente um manifesto com ideias para combater a crise. Para além da nossa desconfiança ontológica sobre as vantagens do intervencionismo corporativista que se avizinha, e ao qual todos os partidos fecham os olhos ou aplaudem entusiasticamente acrescentando ideias dentro desse contexto, o enfoque do manifesto era sobretudo atentar aos problemas de liquidez, libertar a oferta de constrangimentos, quer monetários (fiscais), quer legais (regulamentos e burocracias de toda a ordem) e racionalizar a despesa pública (racionalizar é evidentemente cortar nuns lados e aumentar em outros, mas um corte líquido – para que não haja dúvidas). Mais uma vez, Lacalle vai na mesma direção.

The key measures to take in a supply shock with a forced lockdown need to be supply-side measures, eliminating taxes throughout the lockdown, reducing unnecessary expenditure to accommodate for higher healthcare costs, and providing non-recourse liquidity lines to preserve the business fabric as well as giving sanitary equipment and protocols for businesses to manage the supply chains.

Dada a direção das medidas tomadas pelos governos, o dinheiro impresso via nova dívida vai ajudar alguns (os mais próximos do poder) à custa de muitos outros, os pequenos negócios. Conforme escreve Lacalle:

With these measures in mind, and considering the slump in economic activity, corporate profits, wages and tax revenues that will be generated, global debt is likely to soar above 350% of GDP. This means that the vast majority of the stimulus packages will be aimed at financing higher debt created by government non-economic-return current spending and hibernating large companies, while small and medium enterprises, which have little access to debt and maybe no assets to leverage, simply disappear. Start-ups and small businesses may face a double negative of zero access to equity as well as collapse in sales.

Em conclusão, o pacote de medidas que se avizinham em Portugal, algumas delas já anunciadas, vão agravar o problema económico português. Há alternativa. Há sempre outros caminhos possíveis.

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