O primeiro dia

Ricardo Dias de Sousa

A Iniciativa Liberal conseguiu um deputado. O mais fácil já está feito. Sim, eu sei que foi a primeira vez que um partido conseguiu eleger um deputado à primeira, que há 4 meses ninguém falava neles, que com poucos meios e muita criatividade conseguiram um resultado extraordinário, eu também ouvi o discurso do Carlos Guimarães Pinto e isso é tudo verdade. No entanto, isso era fácil. Era a fruta madura na parte baixa da árvore à espera de ser recolhida. Eram os milhares de liberais que esperavam ansiosamente um dia poder votar. O resultado da da Iniciativa Liberal deve-se às suas excelentes capacidades enquanto caçadores-recolectores. A missão para a próxima legislatura é inventar a Agricultura.

Porque se esmiuçarmos os resultados da IL liberal, chegamos à conclusão que são – somos – o tal papão sulista, elitista e liberal que o Luís Filipe Menenzes imaginou dominar o PSD após a queda do Cavaquistão. Quanto a sulistas e elitistas sociais-democratas haveria muitos, não sei. Mas liberais no PSD, em 1995, não me lembro se havia um ou nenhum. Mas na IL somos sulistas porque enquanto que em Lisboa a votação foi extraordinária, no Porto, terra de excelentes liberais, não se conseguiu eleger sequer um deputado, isto para não falar em Braga onde a IL praticamente não existe. E elitistas porque, em Lisboa nas Avenidas Novas, Estrela e Belém a IL conseguiu mais de 6% dos votos e na Linha o melhor resultado foi obtido em Estoril e Cascais, enquanto que em Marvila, para não falar em Loures, Odivelas e Amadora, não chegou aos 2%. Não deixa de ser irónico que o único partido que quer reduzir o peso do estado só consiga ser eleito na boca do monstro, no olho do furacão do estado central. O resto do país prefere continuar de mão estendia, subserviente à capital, a quem julga ordenhar a teta das transferências ignorando as oportunidades perdidas que os seus líderes não querem ou não podem ver, atolados no socialismo pátrio de todas as cores.

Ontem foi um dia de festa, mas o futuro não se apresenta risonho. O grande desafio nesta legislatura é fazer do Liberalismo uma opção verdadeiramente popular. Uma que recolha votos não só na Lapa mas também em Chelas, não só em Lisboa, mas no Porto, em Braga e, quem sabe se em Miranda do Douro. Para isso é preciso aproveitar todas as oportunidades para mostrar que o Liberalismo é diferente, não promete um paraíso terrenal, mas liberta os indivíduos para que estes possam assumir as suas responsabilidades, desenvolver-se e prosperar e, por causa deles, desenvolver-se e prosperar a sociedade em que se inserem. O mais importante para a IL crescer é fazer os portugueses perceberem que o socialismo tem muitas cores, todas as que querem mandar nas suas vidas. No mundo só há liberais e socialistas, os primeiros apostam na autonomia do indivíduo, os segundos na segurança do grupo, da tribo, do clã. O desenvolvimento económico e social, mais além da lógica grupal, quer dizer, a civilização, só existe onde imperem os indivíduos. Portugal não é civilizado, tem é a sorte de existir perto de regiões que o são e viver das sobras. Na Assembleia da República vão estar 229 deputados que servem o socialismo e 1 deputado liberal. Esta é a correlação de forças. A responsabilidade é imensa e o fracasso quase garantido.

O primeiro passo está dado, pôr o pé na porta para que esta não se feche. Agora é preciso denunciar o desperdício, o amiguismo, a corrupção e a intrusão na vida dos indivíduos que o socialismo de todas as cores inevitavelmente alimenta. Foi muito importante recusar o subsídio que o estado esbulha aos contribuintes, para entregar aos partidos do regime. No curto prazo esse dinheiro é útil para gastar em propaganda, no longo prazo converte que o recebe em refém do sistema. Ao continuar a viver das doações dos militantes a IL enquanto partido pode evitar deixar-se comprar. A isto chama-se doutrinar pelo exemplo e é preciso contrastá-la todos os dias da legislatura com a consigna do “faz o que eu digo e não o que eu faço” do Socialismo, que apregoa a promoção por mérito e oferece Jobs for the boys; que condena a especulação imobiliária e lucra com casas transacionadas ao abrigo das políticas públicas de urbanismo; que apregoa a excelência da proteção civil e mata cidadãos por incúria e deixa roubar armas nos quartéis; que fala em crescimento económico e imobilizam o país com dívida pública, impostos, taxas, emolumentos, regulações, licenças e alvarás. A tarefa a que a IL se propôs foi derrubar este monstro que parece inamovível. Eu diria que é uma missão quase impossível, mas também diria que nunca ninguém chegou tão longe. E vem-nos à memória uma frase batida, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Feira do Livro – Porto

Informa-se todos aqueles que venham a solicitar autógrafos que os autores presentes nesta sessão se reservam ao direito de pedir em troca um rabisco aos leitores.

Nota: enquanto instituição, a actuação da Oficina da Liberdade é independente de qualquer partido, não apoia candidatos eleitorais, nem participa em actividades estritamente partidárias.

ÍNDICE
– Prefácio (João Cortez)
– Introdução (Jose Bento da Silva)

PARTE 1 – Liberalismos: história e movimentos
– Escola Austríaca: das origens aos desafios (André Azevedo Alves & José Manuel Moreira)
– Libertarianismo (Stephan Kinsella)
– Liberalismo e Cristianismo – A Emergência das Instituições e a Ética Processual (Ricardo Dias de Sousa)
– Objectivismo (Miguel Botelho Moniz)

PARTE 2 – Liberalismo em Portugal
– História do liberalismo em Portugal (Rui Albuquerque)
– Faz sentido um partido liberal? (Adolfo Mesquita Nunes)
– Salazar, o inferno somos nós (Gabriel Mithá Ribeiro)
– Direita: o futuro do passado (José Meireles Graça)
– Ser empresário em Portugal (Alexandre Mota)

PARTE 3 – Economia
– Impostos e máquina fiscal (Ricardo Arroja)
– A liberdade e a austeridade (Daniel Lacalle)
– É Exclusivo um Mercado-Livre? (Juan Ramón Rallo)
– Balança comercial e promoção das exportações (Telmo Azevedo Fernandes)
– A Teoria Monetária do Ciclo Económico (Rui Santos)
– A Moeda e o Juro, o Bitcoin e a Teoria da Moeda (Carlos Novais)
– Mercado de trabalho: mais liberdade, menos irresponsabilidade (Pedro Martins)
– Segurança social (Ricardo Campelo de Magalhaes)
– Uma visão liberal da saúde (Mário Amorim Lopes)
– Rendimento básico de inserção (Carlos Guimarães Pinto)

PARTE 4 – Sociedade
– Os Social Justice Warriors (Vitor Cunha)
– Politicamente correcto e liberdade de expressão (Helder Ferreira)
– Opinião pública versus opinião publicada (Eduardo Cintra Torres)
– Cegos, surdos e de preferência mudos (Alberto Gonçalves)
– O Estado Moderno e a Criatividade (Carlos M. Fernandes)
– Governos Tóxicos (Gloria Alvarez)
– Breves reflexões sobre os novos horizontes no Brasil (Ubiratan Jorge Iorio)

*** Edição: Oficina da Liberdade | Alêtheia ***

Sunset Oficinal

Diga já que vai e garanta um fim de tarde mais bem passado do que o que teria aí em casa a passar a roupa a ferro. Com vistas espectaculares garantidas e uma localização excelente para quem preferir antes olhar para o rio e coisas inertes do género, só não vem quem é garantidamente um fétido machista ultramontano repugnante que tem a mania que é liberal.

https://www.facebook.com/events/2232425960401052/

Tertúlia em Lisboa

No mesmo dia e local da apresentação pública em Lisboa do livro “Juntos somos quase um 31. Liberais à solta!”, decorrerá mais uma tertúlia com marca também da Oficina da Liberdade.

Pedro Martins é economista e antigo Secretário de Estado do Emprego no Governo de Pedro Passos Coelho. É licenciado pela Universidade Nova de Lisboa, mestre pela Universidade de York e doutorado pela Universidade de Warwick. Atualmente é docente no Queen Mary College da Universidade de Londres

Eduardo Cintra Torres é Doutorado em Sociologia no ICS/UL, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação e Licenciado em História. Autor de inúmeros livros, é Crítico de TV, media e de publicidade.

A sessão é pública e de entrada livre. Como habitualmente, será uma verdadeira tertúlia e não uma tradicional conferência. O ambiente é informal e privilegia-se a participação do público presente.

A sessão será moderada por Manuel Pinheiro.

Fica o convite.

Lançamento de livro

O liberalismo em Portugal não nasceu agora. Mas não deixa de ser verdade que o liberalismo em Portugal ganhou ânimo nos últimos anos. Para o rejuvenescimento do liberalismo em Portugal muito contribuíram as redes sociais e os blogues. Mas quem mais fortaleceu o liberalismo em Portugal foram aqueles que capturaram o estado Português, raptaram a sociedade civil e sistematicamente reduziram o âmbito de acção do indivíduo através da vergonhosa tentativa de moralização e normalização do que aquele aprende, pensa e diz.

À ‘geringonça’ devemos o facto de tantos terem descoberto aquilo que realmente eram: liberais! A ‘geringonça’ tem feito muito pelo liberalismo: a deriva totalitária daqueles que nos (des)governam, manifesta na entrega da causa pública a meia dúzia de famílias socialistas; o ataque diário à propriedade privada; o aumento sem paralelo da carga fiscal; o saque generalizado que, sem pudor, reduz a pó donativos para vítimas de incêndios; a introdução de uma agenda de reforma do indivíduo, da família e da sociedade, à qual não podemos resistir sob pena de perseguição. Perante esta deriva totalitária sem precedentes, muitos descobriram no liberalismo uma alternativa.

É neste cenário de ataque ao indivíduo, de destruição da família, de roubo fiscal e de tentativa de eliminação da opinião livre, que este livro reune ‘quase 31 liberais’. Há muitos mais, mas estes ‘quase 31’ deixam aqui a sua visão sobre como poderia ser um mundo livre: um mundo em que o indivíduo não é indivídu@ mas aquilo que muito bem entender; em que a família não é uma construção social mas o resultado da organização espontânea da sociedade; em que o trabalho é para produzir riqueza e não para resgatar o estado. Em resumo: um mundo em que o indivíduo assume, sem medo, o controlo do seu destino.

O livro (formato papel ou ebook) encontra-se disponível para compra nos seguintes locais:

Alêtheia | Fnac | Wook | Bertrand