Uma concepção alargada de liberdade

Paulo Tunhas

Em relação à questão da liberdade, a boa posição é talvez a de algumas teorias respeitantes à virtude: ela é simultaneamente una e múltipla. Ao longo de uma vida, prezamos mais certas liberdades do que outras. A concepção mais alargada de liberdade será aquela que permita o máximo de liberdades compatíveis entre si: passadas, presentes e futuras. Talvez se possa dizer que um dos fios orientadores do liberalismo clássico é precisamente esse.

A 25 de Abril de 1974, verificou-se indubitavelmente uma abertura para a liberdade. Mas certamente que não se encontrava disponível para a maior parte das pessoas uma concepção alargada como a indicada acima. Daí o caminho até esta ter tido de passar por várias etapas que se podem, de resto, assinalar com algum detalhe. Etapas que se caracterizam por obstáculos próprios, alguns deles ainda presentes ou até ganhando hoje uma nova dimensão insuspeitada.

Não há nada de excessivamente surpreendente nisto. Uma concepção alargada da liberdade só pode ser obtida, e sempre provisoriamente, através de um diálogo com a tradição. E a tradição não apresenta nunca o carácter de um sistema. Quer isto entre outras coisas dizer que uma tradição alargada da liberdade não pode assentar sobre uma teoria sistemática da sociedade.

Um pensamento em “Uma concepção alargada de liberdade”

Deixe uma resposta