A ditadura comunista é o único bloqueio de Cuba

Daniel Lacalle                                                                                .

O que afundou Cuba não foi a falta de recursos, mas um sistema comunista incapaz de gerar prosperidade mesmo quando recebe fluxos maciços de financiamento.

A economia cubana não está afundada por um suposto “bloqueio”, mas sim por um regime comunista que combina terror político, ruína económica e propaganda sistemática para ocultar o seu próprio fracasso.

A ditadura assassina impôs um modelo parasitário que usa a pobreza para se fazer de vítima e enriquecer os líderes do regime.

Cuba produz 45.000 barris de petróleo por dia e recebe mais de 50.000 barris diários gratuitos do México e da Venezuela. Isto é muito mais do que a procura interna. Por que ficou Cuba sem combustível? A ditadura revende esse crude e fica com os dólares, acumulando mais de 18.000 milhões de dólares roubados aos cubanos em contas no estrangeiro, como refere o Miami Herald.

A ditadura usa a repressão, a denúncia e o medo como instrumentos de controlo, com detenções arbitrárias, destruição por divergência política, perseguição de dissidentes e limitação sistemática dos direitos básicos. A esquerda caviar cala-se perante a repressão e o assalto sistemático aos direitos humanos.

O regime, que vive no luxo e no conforto, impõe restrições à importação de alimentos e medicamentos, limitações ao uso da internet e proibições à possibilidade de viajar.

O facto de a ditadura levantar “temporariamente” as restrições à entrada de alimentos e medicamentos do exterior demonstra que a falta de abastecimento é uma decisão política interna, não o resultado de uma asfixia externa.

A casta privilegiada do castrismo vive do empobrecimento massivo dos cidadãos, usando o seu país como uma prisão e um sistema de extorsão e roubo. Se realmente acreditassem que o seu povo quer esse modelo, permitiriam aos cubanos sair e regressar livremente, em vez de os reter como reféns económicos e políticos.

Fugas de documentos internos da GAESA, o conglomerado controlado pelas Forças Armadas da ditadura, mostram que as suas empresas (Gaviota, Almest, CIMEX, etc.) gerem activos e liquidez de milhares de milhões de dólares em contas no exterior ou em divisas. A estimativa mais conservadora é superior às reservas internacionais de países como o Panamá ou o Uruguai. Parte destes fundos é canalizada através do Banco Financiero Internacional e de entidades como a RAFIN S.A., que operam “em paralelo” ao sistema orçamental normal e sem controlo civil efectivo.

As revelações dos Panama Papers documentam pelo menos uma vintena de entidades e pessoas ligadas ao Estado cubano a utilizar sociedades offshore para operações comerciais e financeiras opacas.

O regime construiu para o exterior o relato de uma saúde pública “exemplar”, que muitos na esquerda caviar repetem incessantemente. Cuba não “exporta médicos”, mas sim agentes de espionagem e especialistas em tortura, como as suas “vespas negras” (unidade especial do Ministério do Interior cubano). O sistema de saúde cubano é falhado e ruinoso, oferecendo cuidados de qualidade apenas à elite do partido e a estrangeiros com divisas.

Em Cuba existe um verdadeiro apartheid sanitário. Os cubanos sofrem carências materiais, falta de medicamentos e têm hospitais em condições deploráveis, enquanto se exibem montras para delegações políticas e turistas.

Longe do mantra da “desnutrição infantil zero”, os dados da UNICEF mostram simplesmente uma redução do peso abaixo do normal até cerca de 4%, valor que não implica erradicação e que já foi superado por países como o Chile, com níveis próximos de 1%. A mortalidade infantil real em Cuba aproxima-se do dobro do número oficial (11,16 contra 5,79 por mil nados-vivos), ficando atrás de países latino-americanos com menos propaganda e mais abertura, como o Chile ou a Costa Rica.

A “saúde gratuita mais cara do mundo”, como a designam os próprios cubanos, paga-se com racionamento, filas intermináveis e ausência de alternativas.

O relato do bloqueio pretende atribuir aos Estados Unidos a responsabilidade pela miséria cubana, enquanto o próprio regime se vangloria de grandes acordos comerciais com meio mundo. O comércio externo de Cuba ronda os 27% do PIB, apenas um pouco abaixo do Brasil (32%), com exportações em torno de 14,5% do PIB face a 16% do Brasil. Os Estados Unidos, longe de “bloquear” a ilha, são o nono parceiro comercial de Cuba e representam cerca de 3% das suas importações.

Cuba mantém mais de 27 tratados bilaterais com mais de 90 países e exporta principalmente para o Canadá (22%), China (21%), Venezuela (13%), Espanha (11%), Holanda (7%), além da Alemanha, Bélgica, Suíça, Chipre e França. As exportações de alimentos e produtos agrícolas dos Estados Unidos para Cuba têm crescido todos os anos, incluindo 2025. Cuba tem comércio com a Venezuela (incluindo crude oferecido), China, Espanha, Rússia, México, Itália, Argentina, Brasil, Estados Unidos e Alemanha, entre outros. Para um “bloqueio”, a lista de fornecedores e parceiros é enorme.

Cuba produz 45.000 barris de petróleo por dia, mas não tem gasolina; tem mais de 27 tratados comerciais, recebe milhares de milhões de apoio financeiro da China, Rússia e UE, perdões constantes de dívida e petróleo gratuito do México e da Venezuela, e o país está na miséria.

A esquerda quer que se confunda um embargo com um bloqueio. O que existe em Cuba é um embargo muito limitado sobre bens ligados a fins militares, cuja origem nem sequer é a revolução castrista: começou a ser implementado em 1958, com Batista, para restringir a venda de armas. O embargo às exportações de 1960 não incluiu alimentos nem medicamentos e, desde o ano 2000, não existe qualquer tipo de embargo norte-americano sobre alimentos ou produtos farmacêuticos. Mais de 90 multinacionais norte-americanas exportam para Cuba desde 2001 e cerca de 60 empresas dos Estados Unidos operam directamente na ilha desde 2014. Os Estados Unidos são o principal fornecedor de alimentos e produtos agrícolas a Cuba (cerca de 220,5 milhões de dólares), além de fornecer medicamentos e produtos médicos no valor de aproximadamente 275,9 milhões.

As remessas provenientes dos Estados Unidos, estimadas em cerca de 3.500 milhões de dólares em 2017, são a maior fonte de divisas da ditadura. O regime suga essas remessas através de monopólios estatais e taxas de câmbio confiscatórias, transformando a ajuda do exílio em combustível para a máquina do partido.

O que afundou Cuba não foi a falta de recursos, mas um sistema comunista incapaz de gerar prosperidade mesmo quando recebe fluxos maciços de financiamento. Entre 1960 e 1990, a ilha obteve da União Soviética mais de 65.000 milhões de dólares, equivalentes a seis Planos Marshall, sem que isso se traduzisse em melhorias de produtividade ou num padrão de crescimento sustentável. A ditadura cubana repetiu o padrão com as ajudas da China, Rússia, UE e Venezuela, convertendo cada resgate em mais desperdício e mais controlo social.

Só com o programa de médicos cubanos na Venezuela (Missão Bairro Adentro), o regime recebeu cerca de 120.000 milhões de dólares em 16 anos, segundo números oficiais reconhecidos por Nicolás Maduro e confirmados por responsáveis das missões cubanas. A isto somam-se receitas de outras missões, triangulações na importação de alimentos, vendas de centrais eléctricas e até comercialização de milhões de lâmpadas. A China perdoou a Cuba cerca de 5.000 milhões de dólares de dívida nos últimos 18 anos, quase metade de toda a dívida que perdoou aos seus parceiros comerciais. A Rússia perdoou cerca de 90% da dívida cubana (aproximadamente 25.800 milhões de dólares em 2014) e canalizou doações adicionais próximas de 10.000 milhões.

Entre 2011 e 2014, México, Japão, China e Rússia isentaram Cuba do pagamento de cerca de 40.000 milhões de dólares, valor equivalente a metade do PIB actual da ilha, enquanto o Clube de Paris perdoou outros 8.500 milhões em 2015.

No conjunto, Rússia, China, Venezuela e os principais parceiros comerciais forneceram à ditadura cubana mais de 200.000 milhões de dólares em ajudas e doações apenas nos últimos 16 anos, muito mais do que qualquer país latino-americano recebeu do FMI. Essa montanha de recursos dissipou-se num mar de ineficiência, corrupção e aparelho repressivo, sem se traduzir em bem-estar para a população.

A ditadura cubana é um sistema parasitário de espoliação e roubo que usa o povo como refém e o país como prisão. A liberdade avança e o fim da ditadura assassina está próximo.

 

Artigo publicado pelo Observador em 2026/02/20, integrado na coluna semanal da Oficina da Liberdade.

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